LEUCOENCEFALOPATIA INDUZIDA POR METOTREXATO: RELATO DE CASO LEUKOENCEPHALOPATHY ASSOCIATED WITH METHOTREXAT: A CASE REPORT

Laise Gisele de Souza, Ivã Taiuan Fialho Silva, Felipe Reynan Paiva Vieira Santos, Larissa Izaflor Ornellas Nunes, Frederico Luiz da Silva Figueroa, Antônio de Souza Andrade Filho

Resumo


INTRODUÇÃO:  O metotrexato é um antagonista do folato com ação antineoplásica e imunomoduladora. A neurotoxicidade é geralmente leve; entretanto, têm sido observados sintomas neurológicos em pacientes com administração oral de dose baixa em longo prazo. APRESENTAÇÃO DO CASO:  Mulher, 39 anos, desenvolveu quadro de leucoencefalopatia durante o tratamento com metotrexato oral (MTX) em baixa dose. Iniciou clínica de cefaleia progredindo para comprometimento cognitivo e prejuízo de suas atividades laborais. A Ressonância Magnética (RM) de crânio foi compatível com o diagnóstico e a biópsia foi compatível com leucoencefalopatia sem evidências de agentes infecciosos. Mesmo com a suspensão da medicação, houve progressão do quadro com envolvimento cerebelar, apraxia, prejuízo da linguagem, déficit de memória, disfunção esfincteriana e tetraparesia espástica com grave impacto nas atividades diárias. Após alguns meses de interrupção, a paciente permaneceu estável. DISCUSSÃO: Há poucos relatos de toxicidade cerebral induzida por MTX oral em baixa dose na literatura, no entanto, as alterações da substância branca observadas na RM, bem como o quadro clínico, são compatíveis com casos relatados de leucoencefalopatia secundária a MTX. A ausência de achados no líquor contribui para exclusão de diagnósticos diferenciais. A literatura descreve clínica de disartria progressiva, ataxia, marcha instável e disfunção cognitiva. A patogênese está relacionada ao aumento do acúmulo de adenosina , elevação da homocisteína e seu efeito excitatório no receptor n-metil-Daspartato (NMDA) e algumas propostas terapêuticas com base nesses mecanismos têm sido elucidada.CONCLUSÃO: Encefalopatia induzida por MTX está associada a administração intravenosa ou intratecal do fármaco, mas há relatos após o uso oral, mesmo em doses baixas. O diagnóstico precoce interfere diretamente no prognóstico. Faz-se necessário, portanto, considerar investigação detalhada considerando possíveis diagnósticos diferenciais.


Palavras-chave


Metotrexato; Leucoencefalopatia; Cognição; Neurotoxicidade

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Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria. ISSN: 1414-0365