A PAIXÃO DO JOVEM ALBERTO: UM CASO CLÍNICO DE AMOR PATOLÓGICO

Teresa Sousa Ferreira, Tania Moreira, Marcia Mendes, Sergio Ferreira

Resumo


Amor Patológico caracteriza-se pelo comportamento de prestar atenção e cuidados de modo repetitivo, descontrolado e de forma prioritária em detrimento de outras atividades antes valorizadas. Os autores apresentam um caso clínico de Amor Patológico e têm como objetivo a reflexão acerca da função que este tipo de amor tem na vida do paciente, à luz da sua infância. Deste modo, realizaram uma revisão não sistemática da literatura sobre amor patológico, depressão e padrões patológicos de vinculação, recolha da história clínica e entrevistas com o paciente durante o internamento psiquiátrico, avaliação psicológica. Recorreram, igualmente, à obra prima de Goeth – A Paixão do Jovem Werther – no estabelecimento de paralelismos com o presente caso clínico.O paciente manifesta um arrebatamento amoroso de longa data de carácter platónico, sem características delirantes. A idealização do relacionamento amoroso tornou-se numa ilusória defesa contra o sofrimento mental. No entanto, sempre que vivência uma perda, traduzida pelo afastamento da sua amada, o paciente retorna a um estado depressivo, sendo reativados sentimentos de abandono, rejeição e privação de amor, frutos do vínculo instável que mantém com os seus pais desde a infância. A essência do Amor Patológico não será apenas amor, mas também medo - de estar só, de não ter valor, de não merecer amor, de vir a ser abandonado (outra vez). A ideação suicida surge como o reforço da certeza de que não será esquecido, assim a materialize.


Palavras-chave


Amor patológico; Depressão; Suicídio; Vinculação

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Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria. ISSN: 1414-0365